A oportunidade de ver um ar-condicionado ou uma geladeira – que antes eram simples eletrodomésticos – personalizando e otimizando suas funções a variáveis que antes necessitavam de influência humana não é mais uma novidade para a atual geração. Não só não é mais uma novidade, como também deixou de ser apenas um capricho tecnológico, para passar a atender necessidades centrais da vida cotidiana. Esse processo já ganhou nome: Internet das Coisas (IoT) – surgido em 1999. Estudioso do assunto, o niteroiense Eduardo Magrani está lançando o livro “A Internet das Coisas”, proveniente da sua tese de doutorado.

O pesquisador é também doutor e mestre em Direito Constitucional pela PUC-Rio e coordenador do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro

Como começou sua relação com o estudo da tecnologia, levando em consideração o fato de ser advogado?

Eu comecei a estudar Direito e Tecnologia quando entrei no Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV. Fui um dos elaboradores do Marco Civil da Internet, que foi uma parceria entre o Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV com o Ministério da Justiça, e comecei a estudar vários temas que tocam Direito Digital, como privacidade on-line, liberdade de expressão on-line, entre outros. De 2008 para cá, a tecnologia deixou de ser uma área acessória e ganhou uma projeção muito grande, porque hoje a tecnologia é basicamente infraestrutura e toca áreas como de serviços e educação. A tecnologia cresceu muito como campo de atuação. No meu mestrado, enquanto coordenador de projetos na FGV, trabalhei muito com o tema de Direito Digital e publiquei um livro chamado “Democracia Conectada”, em que falei sobre a construção do Marco Civil da Internet – que foi o primeiro projeto de lei colocado em consulta pública na internet; falei das manifestações de junho no Brasil, em que plataformas digitais serviram para ajudar a resolver déficits democráticos de participação no País. Foi um livro pioneiro em democracia digital no Brasil. No meu doutorado, comecei a estudar uma área que ninguém estava falando ainda, que era a Internet das Coisas e Inteligência Artificial. Até que eu finalizei o doutorado e publiquei o “Internet das Coisas”.

Poderia falar um pouco sobre o desenvolvimento e objetivos da sua pesquisa em Internet das Coisas? 

O objetivo dessa pesquisa foi, primeiro, tentar fazer um balanço entre os pontos positivos e negativos no cenário de Internet das Coisas. Hoje, o Governo está desenvolvendo um plano nacional, as empresas também estão desenvolvendo uma série de tecnologias, mas, por outro lado, esse cenário de coisas inteligentes e inteligência artificial gera uma série de riscos à sociedade, que não está a par de como as tecnologias funcionam efetivamente, como os dados são tratados, que riscos elas estão trazendo à segurança da sua vida. Esse balanço entre pontos positivos e negativos eu tento fazer tanto com levantamento bibliográfico de pessoas que estão estudando esse tema, principalmente fora do Brasil, mas também trazendo casos concretos. Então eu falo sobre produtos inteligentes que estão sendo interessantes à vida, falo de cidades inteligentes, casos em que a internet das coisas pode melhorar a logística, tocando várias áreas, e, por outro lado, os casos errados também, que mostram a vulnerabilidade e os riscos desse cenário para a população.

O niteroiense Eduardo Magrani está lançando o livro ‘A Internet das Coisas’

Foto: Divulgação

Depois de ter investigado tantos casos, como você avalia o lugar da Internet das Coisas no mundo atual?

O mundo está avançando bastante em Internet das Coisas, principalmente em países desenvolvidos, por terem mais recursos para investir. Quando a gente fala em cidades inteligentes, nós estamos falando em internet das coisas. Quando a gente fala em serviços públicos digitalizados ou casas inteligentes, gerando mais comodidade, estamos falando de internet das coisas também.

No livro, você apresenta o conceito de Internet das Coisas Inúteis. O que seria isso?

Hoje, me parece que a gente tem um fetiche tecnológico muito grande na sociedade. No Brasil, às vezes a gente introjeta essas novas tecnologias de uma maneira acrítica, sem pensar nos riscos, e mais, sem pensar se, de fato, elas estão agregando algum tipo de utilidade às necessidades da sociedade ou não. Então o que eu chamo de Internet das Coisas Inúteis é a produção tecnológica de artefatos técnicos que não resolvem problemas na sociedade, nem geram nenhuma utilidade.

Qual é o maior desafio para termos essa tecnologia disponível aqui no Brasil?

Em países desenvolvidos, isso avança em uma outra velocidade, pois eles têm mais dinheiro para investir em novas tecnologias. Nos Estados Unidos, grande parte da população já usa recursos como Google Home ou Alexa. No Brasil, isso ainda vai chegar. O que impede é a falta de renda, mas, tendo isso, a gente vai observar a expansão do cenário de internet das coisas no País.

Matéria completa disponível através deste link: http://www.ofluminense.com.br/pt-br/revista/mudan%C3%A7a-por-vir

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